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terça-feira, 16 de agosto de 2022

Oliva

 






Cheguei à porta do prédio e  entrei nem foi preciso usar as chaves que retirei do cofre, pois a porta estava aberta.

Subi até ao primeiro andar e tentei abrir a porta do apartamento da Oliva com a chave e nenhuma das chaves funcionava bati à porta mas não obtive resposta. Fiz várias tentativas inclusive, desci novamente as escadas e fui buscar a segunda chave. Nenhuma das chaves funcionava. Estava a ponto de telefonar para o escritório a reclamar, quando empurre a porta e descobri que afinal a porta estava aberta e com o ferrolho travado para impedir a porta de se fechar e trancar. Entrei e deparei/me com a Oliva a arrastar os pés para ir à casa de banho, quando terminou o que tinha a fazer no WC, voltou para a sala, sentamo-nos a conversar até quase à uma da madrugada, o que achei curioso, foi o facto de ver imensas fotografias dela ao lado do pai dela, mas nenhuma dela ao lado da mãe, imensas fotos do pai mas nenhuma foto da mãe, decidi então perguntar-lhe sobre a mãe dela, respondeu pura e simplesmente que não gostava da mãe. Apesar de a mãe dela já há muito ter deixado o mundo dos vivos, eu senti a dor de uma mãe rejeitada por um filho ou filha ou mesmo pelos filhos, é uma dor para a qual não existe explicação.

domingo, 24 de julho de 2022

Lá vim eu de novo

 Para o mesmo sítio que eu detesto.

 Ontem não dormi quase nada, não me perguntem porquê porque eu própria não sei, estas coisas acontecem e de certeza que não é só a mim.

hoje vim para casa desta pobre coitada de 102 anos de idade que não quer morrer, (ela diz mesmo que não quer morrer).

É uma chaga esta senhora hoje voltei a ter que a avisar que se ela me continua-se a chamar a cada dois minutos, eu saía porta fora! surtiu o efeito desejado, tem-se mantido calada, ela não tem doença nenhuma, se calhar até mais saúde do que eu, mas é uma chata de todo o tamanho! e é mal educada e prepotente, julga que os outros são escravos dela, pois comigo ela bem pode tirar o cavalinho da chuva!

eu detesto vir para esta casa  não apenas por ela ser chata como a pqap, mas a própria casa tem más energias, eu não me sinto bem dentro desta casa, e não vejo a hora de chegar ao fim do turno e sair disparada daqui para fora.









sábado, 23 de julho de 2022

Cristina

 Cristina (nome fictício). A Cristina tem cancro e foi-lhe dada uma esperança de vida de apenas alguns dias. Quando cheguei à casa dela, o marido já estava à porta à minha espera. 

ele guiou-me até ao quarto onde a esposa se encontrava semi inconsciente devido a estar sedada. Deu-me as coordenadas necessárias e levou-me a ver as dependências da casa caso eu necessite de algo durante a noite, eu disse-lhe que a única que eu necessitaria seria a torneira da água fria e a casa de banho.

Ele foi-se deitar e eu fiquei no quarto a zelar a paciente.

😔







quinta-feira, 30 de junho de 2022

Lembranças repentinas

 Fui-me deitar deviam ser para aí 01h30 ou 02h00 não tenho bem a certeza ... acordei às 04h15 voltei a ligar a televisão que se tinha auto-desligado, e aqui estou eu às 06h50 a tentar escrever todos as lembranças que me vieram entretanto à memória.

Eu sou do tempo em que não haviam CDs,  nem DVDs, e a primeira vez que eu vi uma cassete VHS foi nos anos 80. Era um luxo ir ao vídeo clube e alugar uma cassete de vídeo para assistir durante o fim em família, antes disso se queríamos ver um filme ou íamos ao cinema ou íamos a casa de um amigo "rico" que tivesse um projector  de filmes/fitas de cinema, e só tinha-mos intervalo quando a fita chegá-se ao fim e a bobine fosse trocada pela outra bobine contendo o resto do filme. Mas quando apareceram as cassetes de vídeo


 e os vídeo clubes ...

Era como que um sonho a sensação de aventura ir ao vídeo clube e alugar um filme para vermos em casa, era algo do outro mundo, depois nos anos 90/2000 apareceram os DVDs e os DVD Players,  a excitação, a aventura, a emoção! mas tudo vem com um custo, um grande custo, hoje já na quase a meio do século XXI estamos rodeados pela tecnologia digital de ponta, mas estamos também cada vez mais isolados em nós próprios, Eu não sou estranha ao mundo do isolamento porque eu sempre vivi dentro do meu próprio mundo e pouco me importando com os outros ao meu redor, só que começo a ver que o mudo se está quase que a tornar igual a mim



Nunca nada fez sentido para mim

 E quanto mais os anos passam ...menos sentido faz, menos vontade de interagir eu tenho, vou afundando no caos que é a minha mente.