quinta-feira, 28 de maio de 2026

A Carta Que Eu Gostaria DeTe Escrever

 

Àqueles que se aproveitaram do meu desespero e da minha vulnerabilidade para me empurrarem para um lugar onde nunca consegui viver em paz:

Não vos escrevo por dramatismo, nem para pedir piedade. Escrevo porque há verdades que precisam de ser ditas sem filtro: desde que me empurraram para este sítio, a minha vida encolheu. O que para vocês pode ter sido uma decisão conveniente, uma manobra ou uma forma de exercer controlo, para mim transformou-se num desgaste diário, contínuo e profundamente humilhante. E não foi apenas um lugar que me impuseram — também me afastaram da única família que tenho aqui em Inglaterra, cortando-me da única proximidade e apoio que ainda me restavam.

O meu rancor e a minha raiva não vêm apenas do lugar em si. Vêm, sobretudo, do facto de não ter meios suficientes para sair daqui. Vêm da consciência cruel de saber exatamente o que me faz mal e, ainda assim, continuar presa porque me faltam condições para mudar. Essa impotência corrói. Essa dependência pesa. E essa prisão sem grades consome mais do que aquilo que se vê por fora.

Vocês não vivem o que eu vivo quando saio do trabalho já em sobressalto, com o coração na garganta, a torcer para encontrar um lugar ao pé de casa. Não sabem o que é organizar a vida inteira em função de um estacionamento, evitar coisas simples como ir às compras de manhã por medo de voltar carregada e não ter onde deixar o carro, e acabar obrigada a estacionar longe, como se até o mais básico me tivesse sido roubado. Há um cansaço específico em viver assim: o de sentir que até a rotina mais banal vem sempre acompanhada de tensão, castigo e falta de liberdade.

Desde que me empurraram para este inferno, sinto que deixei de viver com vontade. Passei a cumprir dias em vez de os viver. Passei a arrastar-me por obrigações, a fazer o que é preciso, mas sem ânimo, sem descanso e sem ligação real à minha própria vida. Este lugar não me tirou apenas conforto; tirou-me energia, prazer, esperança e partes inteiras de quem eu era.

Se algum dia quiserem reduzir isto a exagero, mau feitio ou incapacidade minha de me adaptar, poupo-vos esse esforço: eu sei perfeitamente o que este lugar me fez, e sei também como aqui vim parar. Houve desespero do meu lado, houve vulnerabilidade, e houve aproveitamento do vosso. É essa verdade que fica. Não me roubaram apenas paz. Roubaram-me tempo de vida, saúde emocional e a possibilidade de me sentir segura no sítio onde sou obrigada a existir.

  • #ArteEmCarvão
  • #DesenhoALápis
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  • #ArteParaBlog
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    domingo, 24 de maio de 2026

    Duas Almas, o Mesmo Silêncio

     Hoje vou eu e outra colega cuidar de uma doente paliativa. Estou apreensiva, pois não sei o que nos espera. Já conheço a colega de outras paragens e ela é tão volátil quanto eu. Ambas temos PTSD, ressentimentos e traumas nas nossas vidas; ambas temos uma sede incansável de sermos ouvidas e compreendidas. Ambas sentimos aversão a humanos, devido a tudo o que alguns nos fizeram, mas em contextos totalmente diferentes: ela teve uma família que a educou, amou e acarinhou; eu tive uma família que me menosprezou, me maltratou e até me tentou, por diversas vezes, desviver.

     

    Este blog apesar de escrito por mim teve também a participação (ajuda se lhe quiserem chamar assim) do nosso grande amigo 

     

    Domingo

     

    Hoje é Domingo.

    Eu detesto os domingos, não sei nem porquê, mas sempre detestei os domingos, primeiro porque era o dia em que a “família” estava toda em casa e isso para mim significava mais um dia de espancamento por vários membros da “família” humilhações etc. era um dia em que não tinha como me esconder, tentava sempre tornar-me o mais invisível possível, mas nem sempre ou quase nunca era possível. Hoje em dia eu acho o domingo entediante e improdutivo, agrava ainda a situação eu morar num sítio ermo sem comercio perto exceptuando umas bombas de gasolina e uma lojeca geria por Indianos que seguem os clientes que nem cães de fila, com receio de que os clientes roubem algo da loja, mesmo tendo a loja câmaras de vídeo vigilância por toda a parte, além disso a loja é minúscula e os produtos são vendidos a preços super-inflacionados. E depois, acrescentemos a tudo isto a minha paranoia, de achar que preciso urgentemente de ir comprar qualquer merda que antes de ser domingo eu nem pensava nela, mas como é domingo, eu já acho que me está a fazer uma falta tremenda! O que não é verdade, e nem o facto de eu poder ir ao supermercado a partir das 10 horas da manhã me serve de consolo, porque eu ponho um entrave mental de que preciso de ir dormir porque vou trabalhar logo à noite.  








    Este blog apesar de escrito por mim teve também a participação (ajuda se lhe quiserem chamar assim) do nosso grande amigo  

    Como quase mandei o meu ISP para aquele sítio (e acabei a pagar menos)

     

    Recebi o email do meu atual fornecedor de serviço de Internet. Li-o e fiquei logo furiosa. Respondi-lhes com uma agressividade tremenda: não aceitava ser roubada por ninguém e eles que enfiassem o serviço pelo cu acima!

    Comecei logo a vasculhar a Internet em busca de um ISP que não me cobrasse um rim e um fígado. Que horror de preços, que pouca-vergonha de velocidades! Quase cheguei ao meu limite. Lá escolhi uma operadora com uma velocidade de dados miserável, mas que tinha um preço acessível para a minha carteira. Tudo isto mexeu com o meu psicológico, deixando o meu cérebro sobrecarregado de emoções negativas.

    Voltei ao email e li-o com mais atenção. Continuei furiosa, só que desta vez reparei num número de telefone para o qual podia ligar e descarregar toda a minha fúria e frustração. Liguei… esperei… esperei e quase perdi o juízo. Até que me atendem do outro lado da linha.

    Gritei toda a minha raiva e frustração acumuladas. A funcionária do apoio ao cliente teve uma paciência de Jó comigo. Com uma calma infinita, foi-me explicando o que eu poderia fazer para não ter de pagar uma quantia tão absurda. E foi aí que, finalmente, consegui entender o verdadeiro teor do email!

    O email era, afinal, um alerta de que o meu contrato estava a chegar ao fim e que, se eu não o renovasse, passaria automaticamente para um plano não contratual por uma quantia exorbitante. No fundo, estavam a dar-me a escolher entre várias opções. Resultado? Renovei o contrato, fiquei com uma velocidade muito maior e por um preço mais baixo do que o que estava a pagar antes.

     

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    Este blog embora escrito por mim, teve também a ajuda do nosso grande amigo Gemini 

    A Carta Que Eu Gostaria DeTe Escrever

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