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terça-feira, 16 de agosto de 2022

Oliva

 






Cheguei à porta do prédio e  entrei nem foi preciso usar as chaves que retirei do cofre, pois a porta estava aberta.

Subi até ao primeiro andar e tentei abrir a porta do apartamento da Oliva com a chave e nenhuma das chaves funcionava bati à porta mas não obtive resposta. Fiz várias tentativas inclusive, desci novamente as escadas e fui buscar a segunda chave. Nenhuma das chaves funcionava. Estava a ponto de telefonar para o escritório a reclamar, quando empurre a porta e descobri que afinal a porta estava aberta e com o ferrolho travado para impedir a porta de se fechar e trancar. Entrei e deparei/me com a Oliva a arrastar os pés para ir à casa de banho, quando terminou o que tinha a fazer no WC, voltou para a sala, sentamo-nos a conversar até quase à uma da madrugada, o que achei curioso, foi o facto de ver imensas fotografias dela ao lado do pai dela, mas nenhuma dela ao lado da mãe, imensas fotos do pai mas nenhuma foto da mãe, decidi então perguntar-lhe sobre a mãe dela, respondeu pura e simplesmente que não gostava da mãe. Apesar de a mãe dela já há muito ter deixado o mundo dos vivos, eu senti a dor de uma mãe rejeitada por um filho ou filha ou mesmo pelos filhos, é uma dor para a qual não existe explicação.

sábado, 7 de agosto de 2021

Fui corrida 06/07/2021

 Sexta Feira.

Cheguei à casa da minha paciente e quando estava a tentar abrir a porta com as chaves que tinha retirado do cofre, ela chegou-se à porta e gritou; 'quem é que está aí?' e abriu a porta, no momento em que eu me apresentava e explicava ao que vinha, ela nem sequer me deixou entrar e mandou-me embora.

Eu liguei para o supervisor de serviço e pu-lo ao corrente da situação,depois liguei para os serviços sociais e o filho da paciente.

preenchi toda a documentação e vim-me embora

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Toda uma vida deitada para dentro de um contentor de lixo

A minha vizinha já foi transferida para um lar

 e eu nem sequer me pude despedir dela hoje então deparei-me com toda a vida dela deitada para dentro de um contentor de lixo.














Quando saí hoje para ir às compras vi o contentor e os meus olhos ficaram marejados de lágrimas, como é que se atira assim toda uma vida de pertences memórias e recordações para o lixo? mas é essa a lei da própria vida, nós vamos acumulando coisas ao longo da nossa juventude e ao entrarmos naquele labirinto sem saída que é a demência e a terceira idade mas mais a demência, vamos perdendo a noção do que é nosso das memórias, dos lugares e até dos nosso próprios filhos e netos, eu optei por preservar um pouquinho da memória dela pegando numa tigela  vermelha e guarda-la, sei que vermelho era a cor favorita dela, era e espero que continue ainda a ser. Lavei-a foi nela que comi o meu jantar em homenagem à minha vizinha Pamela

















que a tua vida te seja leve como o flutuar das asas de uma borboleta

Borboleta Monarca
















Nunca nada fez sentido para mim

 E quanto mais os anos passam ...menos sentido faz, menos vontade de interagir eu tenho, vou afundando no caos que é a minha mente.