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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Dois Mundos no Mesmo Coração:

 

O Sabor da Saudade e o Abraço de Inglaterra

Há já vinte anos que a minha vida se construiu longe do sol de Portugal. Quem me conhece sabe que convivo perfeitamente bem com a minha solitude. Encontro paz no silêncio do meu espaço, e a minha rotina hoje faz-se, em grande parte, das noites em que saio para trabalhar no apoio à comunidade, cuidando de quem precisa. Não exijo muito mais do que esta tranquilidade.

Mas o coração humano é um lugar curioso, capaz de guardar intactas memórias que o tempo e a distância não conseguem apagar. De vez em quando, a mente viaja. Viaja para os tempos em que geria A Casa do Galo ou o Bordalo, onde o ritmo era frenético e a vida acontecia à volta de uma mesa. Viaja para aquelas tardes partilhadas com amigas na esplanada do bairro, onde o único pretexto necessário para sair de casa era uma "bica" bem tirada, uma mini a estalar de tão gelada e um prato de caracóis.

A saudade, quando aperta, não é de grandes luxos. É uma saudade profundamente sensorial. Sinto uma falta imensa da nossa couve tronchuda, do amargo bom das nabiças e do conforto dos torresmos. Fecho os olhos e quase consigo sentir o cheiro do carvão, a sardinha assada a pingar no pão e a frescura de uma salada de tomate, pepino, alface e pimentos grelhados. São sabores que contam a história de onde venho, impossíveis de replicar nas prateleiras de um supermercado moderno.

Contudo, que ninguém confunda esta melancolia com ingratidão. Jamais, em momento algum, a minha saudade por Portugal se traduzirá num julgamento ou numa crítica a Inglaterra e ao seu povo.

Nestas duas décadas, o Reino Unido deu-me estabilidade, deu-me teto, deu-me trabalho. Através da minha profissão, tive o privilégio de entrar nas casas e nas vidas dos britânicos nos seus momentos mais vulneráveis, conhecendo a sua essência e humanidade de uma forma muito crua e verdadeira. Ser-lhes-ei eternamente grata por tudo o que me proporcionaram, pelas oportunidades que me ofereceram e pelo respeito com que me acolheram.

No fundo, aprendi que não precisamos de escolher entre quem fomos e quem somos. Posso amar a terra que me viu nascer e chorar de saudade de uma simples couve-galega, enquanto nutro um amor e um respeito inabaláveis pelo país que hoje chamo de casa. E é assim, com um coração dividido, mas em paz, que continuo a minha caminhada.

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

De Plantão ou de Férias? A arte de consumir lixo na internet sem culpas (ou quase)

Hoje é quarta-feira. Ontem fiquei em casa, e na segunda-feira também já tinha estado de folga. Na segunda, foi porque a minha chefe me disse que não havia trabalho para mim, a não ser numa vila isolada, lá nas alturas — sítio que eu detesto. Já na terça, como me estava a sentir um bocadinho engripada, pedi para não ir. Ela acabou por não me gastar um dia de férias, mas deixou-me em casa "de plantão", para o caso de aparecer alguma chamada de emergência e eu ter de me pôr em campo.

Claro que não apareceu trabalho nenhum. Fiquei em casa descansadinha a ver filmes e a consumir lixo na Internet. O ridículo é que estou sempre a dar a mesma desculpa a mim própria: "Amanhã faço isto, amanhã arrumo aquilo...". Enfim, no final nunca faço nada, a não ser ficar com o rabo colado à cadeira em frente à porcaria do computador ou com o telemóvel na mão a ver conteúdo tóxico no TikTok.

 

Agora a sério: qual foi a desculpa mais esfarrapada que já deram a vocês mesmos esta semana para não fazerem nenhum? Deixem o vosso desabafo aqui em baixo!

Dois Mundos no Mesmo Coração:

  O Sabor da Saudade e o Abraço de Inglaterra Há já vinte anos que a minha vida se construiu longe do sol de Portugal. Quem me conhece s...