quinta-feira, 17 de setembro de 2026

A Diferença entre mim e eles

 

 

Fui trabalhar para uma cidade não muito longe daqui, 36 minutos de carro. Cheguei, toquei à porta e o marido da paciente abriu a porta, também ele todos tremeliques que eu até pensei que ele tivesse a doença de Parkinson, mas não embora ele não saiba porque é todo tremeliques e com sintomas parecidos aos da doença de Parkinson, ele foi ‘testado’ (segundo as suas próprias palavras). Eu mostrei-lhe a minha identificação e apresentei-me. Subimos as escadas até ao primeiro andar, ele convidou-me a entrar no seu apartamento, fomos até à sala de estar onde estava a minha paciente, esposa dele. Sentamo-nos de frente para a ela. Eu vou-lhe chamar de: ‘Arlindo’ e ‘Arlete’ (nomes fictícios) o Arlindo começou a mexer no seu tablet e passado um bocadinho mostra-me as fotografias do meu colega que tinha estado lá 13 antes de mim a dormir refastelado no sofá.

Aconselhei-o a enviar as fotos para o escritório da empresa e fazer uma denuncia formal. Ele disse peremptoriamente ‘não!’ e continuou dizendo; ‘não o vou denunciar porque não quero que ele seja despedido’. Eu disse-lhe que ao omitir e proteger a negligência do funcionário, estaria a abrir um precedente para que ele continue a fazer o mesmo com outros pacientes ou seja, a ser negligente e descuidado no seu local de serviço que é nas casas dos pacientes que por sua vez são na sua maioria pessoas em situação de vulnerabilidade extrema.

 

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