sábado, 13 de junho de 2026

Anto

 

Poema de Florbela Espanca

A Anto!

Poeta da saudade, ó meu poeta querido

que a morte arrebatou em seu sorrir fatal,


ao escrever o Só pensaste enternecido

que era o mais triste livro deste Portugal,

Pensaste nos que liam esse teu missal,

Tua bíblia de dor, teu chorar sentido

temeste que esse altar pudesse fazer mal

aos que comungam ele a soluçar contigo!


Ó Anto! Eu adoro os teus estranhos versos,

Soluços que eu uni e que senti dispersos

por todo o livro triste! Achei teu coração…


Amo-te como não te quis nunca ninguém,

Como se eu fosse, ó Anto, a tua própria mãe

Beijando-te já frio fundo do caixão! 

 

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